Diário de um Gamer #1 - Eu Odeio Jogo de Tiro!
Muita calma nessa hora, jovens leitores e assassinos virtuais em série que possam ter sentido a própria pressão subir e a vontade de me acertar com um lança-granadas crescer. O título do primeiro artigo deste diário é, como diriam os mais antigos, matreiro. Por isso, não vou me esforçar para convencê-los de que seus vários anos atirando em vilões armados e desarmados foi em vão. Pelo contrário, vou me esforçar para convencê-los de que é praticamente indispensável que você continue a fazer isso.
Eu sei que joguei Duck Hunt em algum momento antes de 1994, mas a história que antecede esse ano é cheia de partes faltando (as outras são preenchidas com Master System e Mega Drive) e foi nesse ano que ganhei meu primeiro PC, por isso vamos marcar o meu tempo histórico como a.PC. (antes do PC) e d.PC. (depois do PC). Portanto, fica subentendido que Duck Hunt aconteceu no período a.PC., por isso não darei tanta atenção a isso, já que naquela época eu nem sabia que aquilo era um jogo de tiro (para mim era um jogo de animais, pois tinha patos e um cachorro).
Minha relação conturbada com os jogos de tiro se inicia no período d.PC. - simultaneamente com a minha relação com um computador 486 de última geração e com o Windows 3.11, mas isso é só um detalhe - foi ali que tive contato com Doom, o primeiro grande clássico do gênero. Convenhamos, os jogos de tiro atuais, como Call of Duty e Battlefield 3 são mamão-com-açúcar perto do que era Doom, Heretic, Castle Wolfenstein e afins. Não existia o botão de tentar novamente quando se morria. Ali a coisa era pra valer e respawn ainda nem passava pela cabeça dos preguiçosos.

Depois dessa fase de terror e destruição, a etapa seguinte da minha carreira em jogos de tiro foi na pele do agente James Bond. Ninguém em são consciência pode negar que 007 Contra Goldeneye foi um dos jogos mais viciantes de todo jovem que um dia teve contato com um Nintendo 64. Eu me recordo até hoje de ser o maior FDP do universo usando proximity mines e lurando os otá... digo, os adversários até minha localização no mapa. Mesmo assim, eu jogava aquilo porque era o que todo mundo queria jogar e eu não estava afim de ficar só olhando. E não é que eu não goste de ver, mas convenhamos que não é só no videogame que é melhor participar do que ficar só olhando...
A terceira fase da minha esparsa carreira de atirador é a mesma que 99% dos jogadores brasileiros (coloquei 99% só pra considerar margem de erro, porque deve ser 100% neste caso), jogando Counter-Strike. Convenhamos, alguém aqui desconhece a expressão fire in the hole? Anyway, muitas mortes, compras de armas e munição, plantação e defusação de bombas depois, eu realmente não vejo sentido nesse jogo (nossa, bati na mãe dos CS lovers agora).

Depois dessa época eu acumulei um imenso vazio no departamento jogo de tiro no meu HD mental, pois é assim que eu me sinto jogando jogos de tiro. O Guto Monte Claro até vai mencionar seus áureos tempos de Day of Defeat e lembrar dos Von Kuken, mas eu não me convenço tão fácil hehe. Eu até peguei um comecinho da fase Battlefield, mas o primeiro jogo da série tinha um ritmo lento demais até pra mim, não tardei a ignorar aqueles mapas enormes, vazios e tediosos e focar minha energia vital em jogos diferentes.
Ok, confesso que fui cativado um pouquiinho por Call of Duty: World at War, pois a ambientação da Segunda Guerra é algo que eu curto bastante, mas em compensação todos os jogos seguintes são parecidos demais (os 3 Modern Warfare e o Black Ops), exaltação demais à capacidade magistral que os americanos tem de atirar melhor que todo mundo e salvar a humanidade da vilania russa e árabe. Alguns vão dizer "que se dane a história, o jogo é demais", mas esse é exatamente o ponto em que eu queria chegar:
Gente, não dá mais para dissociar um jogo da sua história. Basta ver os grandes lançamentos da atualidade (com exceção dos jogos de tiro, claro): Uncharted 3, Skyrim, God of War, Assassin's Creed... o protagonista não é foda só porque ele mata todo mundo, ele é foda porque ele mata todo mundo na situação em que a história o colocou. Isso que faz o jogo ser interessante para mim, não apenas me posicionar, mirar e apertar um botão... uau, headshot. Sem história, até pong é mais divertido que jogo de tiro.

Resumindo: criadores de jogos de tiro, me deem um jogo com enredo, que eu começo a curtir. Enquanto os jogos se resmirem apenas a mirar e apertar um botãozinho, eu estou fora!
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