Brasileiro teria de trabalhar 5 anos para comprar TV de ultradefinição

Thaylan Melo | 09:01 | 0 comentários

Contas com base no rendimento médio do trabalhador mostram como a tecnologia pode ser 'coisa de outro mundo'

LG 4K 84 polegadas
Marcelo Gripa e Stephanie Kohn

A tecnologia conquistou a 'duras penas' o status de companheira inseparável das pessoas. Experimente trocar de telefone celular com o colega ao lado, ainda que por alguns minutos, e sinta o desconforto que isso deverá lhe causar. A relação de interdependência está fortemente estabelecida.

O mundo adere às inovações que despontam num ritmo cada vez mais acelerado, a mando das regras de mercado. No entanto, ao passo das atualizações frenéticas, a mesma tecnologia que facilita nossas vidas abre brecha para questões essenciais sobre sua aplicação efetiva.

TVs com ultradefinição a preços de carros sofisticados; tablets gigantes vendidos por milhares de reais; smartphones nas vitrines pelo equivalente a três meses de salário mínimo brasileiro... Afinal, quando os produtos de última geração serão menos conceituais e mais acessíveis?

A CES, maior feira de eletrônicos do planeta, mandou o recado mais recente. Em sua  45º edição, realizada na semana passada, o evento lançou luz às novidades que chegarão em breve às prateleiras para impressionar o público. Por mais que algumas propostas estejam muito distantes do potencial financeiro da maioria dos consumidores.

O trabalhador brasileiro, por exemplo, que possui rendimento mensal médio de R$ 1.345, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), precisa trabalhar bastante se quiser levar para casa alguns itens de desejo apresentados na CES.

TV 4K da Samsung de 85 polegadas, com pré-venda anunciada a US$ 38 mil, corresponderia a 1860 dias de trabalho do brasileiro (62 meses ou 5 anos). Isso se ignorarmos todos os gastos que uma pessoa tem para viver em sociedade, como água, luz, alimentação, moradia etc.

A conta é a seguinte: os US$ 38 mil viram R$ 76 mil na cotação a R$ 2. Adiciona-se a esse valor uma média de 10% de imposto sobre importação de eletrônicos (R$ 7.600). No total, a televisão ultra moderna dos sonhos de muita gente chegaria ao Brasil por aproximadamente R$ 83.600.

Já a TV OLED 3D da LG com tela curva, que pode ser vista de todos os ângulos, custaria 570 dias, 19 meses ou 1,5 ano de trabalho. Com as conversões de moeda e alíquotas, o produto seria vendido por aqui a R$ 26.400.

A impressora 3D CubeX (US$ 2.499), também anunciada na CES, custaria o equivalente a 120 dias de trabalho ou 4 meses de mão-de-obra. Um produto com preço bem mais acessível, porém, não tão útil para o consumidor final.

Por fim, o tablet Lenovo de 27 polegadas (US$ 1.700), um dos destaques da feira de eletrônicos, é um dos mais compatíveis com o bolso do brasileiro, e ainda assim cobraria do trabalhador 60 dias ou 2 meses.

A despesa média domiciliar no Brasil é de R$ 2.419,77 por mês, segundo dados da Pesquisa de Orçamentos das Famílias (POF), também do IBGE. 

Quer contribuir com a matéria? Diga em quanto tempo você espera ver essas tecnologias na sua casa.


via Olhar Digital

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